domingo, 25 de dezembro de 2016

Crescimento do índice Ibovespa

Mesmo  2016 sendo um ano ruim para a economia brasileira, com queda do PIB e o problema nas contas públicas, além das dívidas das empresas, um índice econômico importante  foi de encontro a os outros e apresentou crescimento: o ibovespa.
O ibovespa é uma carteira teórica de ativos, contendo no seu índice a valorização das ações das mais importantes e maiores empresas brasileiras. Em 2016 houve uma valorização de 32% no índice, sendo assim um investimento muito rentável, obtendo vantagem contra os investimentos de Renda fixa como CDB e Tesouro direto.
Entre as maiores empresas brasileiras e que têm o maior peso na composição do índice, os resultados foram expressivos. Entre as grandes empresas, as que mais apresentaram valorização foram a Vale, com uma valorização no seu papel de 117%, e a Petrobras que viu sua ação crescer 112%. Outras empresas que apresentaram crescimento expressivo foram o Banco do Brasil, que apresentou valorização de 78%, o Bradesco com 52% e o Itaú Unibanco com 35%. A empresa que apresentou a maior valorização foi a Bradespar, braço de investimentos do Bradesco, com crescimento de 186%. As siderúrgicas como a Usiminas (150%) e a Companhia Siderúrgica Nacional (148%) apresentaram também grande valorização.

Apesar da valorização para maior parte das grandes empresas, houve desvalorização nos papeis de empresas como a BRF, que viu suas ações perderem 21% do valor, a JBS, com desvalorização de 8%, e a Ambev, com uma perda de valor de 11%. Um setor que viu suas empresas perderem valor foi o de papel e celulose. As três grandes corporações do setor (Kablin, Suzano Papel e Fibria) apresentaram uma desvalorização de 28%, 29%  e 41%, respectivamente.
2017 tem a esperança de trazer bons ventos, não só para as empresas brasileiras da Bovespa, mas para a economia Brasileira em geral. A previsão é de volta de crescimento do PIB, mesmo que timidamente. Com a diminuição dos juros, a tendência é o crescimento do investimento na Bovespa, que junto com uma boa performance das companhias e um ambiente econômico melhor, pode fazer do próximo ano um período de mais valorização.

domingo, 6 de novembro de 2016

Queda nos preços do petróleo

As quedas dos preços do petróleo afetaram negativamente vários países dependentes da exportação da commoditie. O barril que até meados de 2014 passava facilmente de 100 dólares, hoje é cotado abaixo de 50 dólares.
Entre as razões apontadas para a queda drástica no preço do petróleo, estão a expansão da oferta para uma demanda esperada que não se concretizou, o crescimento da produção americana, que passou a extrair óleo em grandes quantidades através das rochas de xisto e procura diversificar os países de quem importa, a volta do Irã ao mercado de exportadores e a desaceleração da economia chinesa.
Vários são os países afetados, principalmente os grandes exportadores e membros da OPEP, a organização dos países exportadores de petróleo. A Arábia Saudita, o maior exportador e com a segunda maior reserva comprovada do combustível, sofre com a queda das exportações, representadas principalmente pelo petróleo, e como consequência enfrenta problemas como a falta de divisas e o aumento do deficit público.
A queda nas exportações da Arábia Saudita

Mudando de continente,  saindo do Oriente Médio e indo para a África, a Nigéria, o principal produtor africano, vem sofrendo dos mesmos problemas da Arábia saudita, como a queda das exportações e a falta de divisas. Além desses problemas a inflação do país ameaça chegar a 20%, e a nação arbitra juros de 14% para tentar combatê-la.
O grande país afetado por essa queda acentuada dos preços do petróleo é a Venezuela. Dona das maiores reservas mundiais provadas da commoditie, o país sofre dos mesmos problemas dos seus colegas da OPEP, como a falta de divisas, a queda nas exportações e o aumento do deficit público, sendo atingido também por uma inflação galopante que é a maior do mundo e passa dos 100%. Políticas como a estatização de propriedades estrangeiras e o congelamento de preços, levaram muitas empresas a saírem do país e o investimento estrangeiro hoje é quase zero. Em consequência disso, o país sofre escassez de recursos básicos, como alimentos, medicamentos e produtos de primeira necessidade, beirando o colapso. Até o dinheiro que alimenta a inflação do país, que é importado, está em falta devido a falta de dólares para pagar o fabricante.
Enquanto vários países sofrem, e outros vibram com as quedas dos preços do petróleo, há poucos indícios de que os preços do produto voltem aos patamares de dois anos atrás. Com as grandes economias ainda apresentando baixas taxas de crescimento, a previsão é de que o preço continue o mesmo ou aumente muito pouco no curto a médio prazo.

Fontes: http://www.tradingeconomics.com/nigeria/government-budget
http://www.tradingeconomics.com/saudi-arabia/indicators

terça-feira, 11 de outubro de 2016

PEC do teto dos gastos- parte II

No blog já fiz um texto sobre a PEC 241 (aqui), a proposta de emenda constitucional que congela os gastos públicos por vinte anos. No texto, a proposta é colocada em comparação com gastos anteriores do governo, numa série calculada que vai de 2003 a 2015. No final dos anos calculados, se tivéssemos adotado uma proposta desta em 2003 por exemplo, estaríamos registrando superávits primários de mais de R$ 500 bilhões.
Neste texto o cálculo é com a projeção de gastos futuros, e o ponto de partida é bem diferente, pois em 2003 partíamos com superávits primários e hoje começamos com um déficit primário. Para calcular a série, foram usados índices de inflação de 4,5% a.a, que é a meta da inflação, e um crescimento do PIB de 2% aa, uma meta de crescimento bastante realista. Outro esclarecimento é de que os dados da receita só foram corrigidos pela inflação e o aumento do PIB (que aumenta as receitas com impostos), sem a cogitação de que o governo venderá patrimônio público ou aumentará impostos.


Utilizando os dados no gráfico, vemos que a receita só igualaria a despesa somente em 2026. Os dados demonstram a deterioração das contas públicas, e que talvez junto com o congelamento de despesas, o governo possa até aumentar impostos para crescer as receitas. 2026 também será um ano importante, se o projeto for aprovado, pois é o período em que a lei poderá ser revisada.
A PEC teria o poder de reverter a trajetória da dívida pública a partir deste ano (2026), período no qual ela provavelmente atingiria o seu pico e começaria a cair.


Uma das principais críticas a PEC é sobre os gastos com saúde e educação. Hoje estes gastos estão relacionados a receita pública líquida, que é o que sobra da Receita Total da União com impostos e contribuições após as transferências para estados e municípios. Atualmente o orçamento para saúde é de 13,2% da receita líquida e para educação 18%. O comportamento das despesas com essas áreas com a aprovação da PEC pode ser vista nos gráficos a seguir:


Provavelmente serão menos recursos para as áreas com a proposta, a menos que os congressistas, na hora que forem fazer o orçamento, cortem gastos em outras áreas.
A PEC não é uma proposta totalmente pronta, já que a previdência, que representa grande parte dos gastos do governo e vem apresentando uma média de crescimento de 12% desde 2010, não entra na possível emenda constitucional.
Além da redução de gastos, o Brasil precisa de outras reformas, como a tributária, que estabeleça impostos que sejam fáceis de entender, mais progressivos e que tributem mais renda, onerando menos as classe mais baixas e facilitando a vida das empresas e empreendedores, combinada com um maior rigor fiscal para evitar sonegações.
Também deve-se refletir sobre o papel social do ajuste, pois a economia não são somente números, e garantir qualidade de vida para a população é tão importante quanto evitar o aumento da dívida. Enfim, entre os bilhões que serão congelados está o dinheiro que paga auxilios moradia, transporte e de vestuários para juízes e políticos mas também livros para crianças pobres e remédios para aposentados. Que os gestores públicos tenham mais responsabilidade nos gastos e privilegiem o que de fato é mais importante.




quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Mudança na Exploração do Pré-Sal

A câmara dos deputados aprovou na noite da última quarta-feira (05/10) um projeto de lei de autoria do Senador  José Serra (PSDB-SP), que muda as regras de exploração do pré-sal. A nova lei, que já foi também aprovada no Senado, versa que fica facultada a Petrobras participar dos campos de exploração do pré-sal, enquanto a lei vigente diz que a estatal deve participar com o minimo de 30%. Agora só resta a sanção do Presidente da República para a lei ficar valendo.
A alteração da lei foi marcada por discussões tanto na câmara dos deputados como no Senado, com os parlamentares do governo sendo a favor, e os da oposição contra. Os setores a favor da alteração da lei garantem que vai aumentar a exploração de petróleo, gerando empregos , royalties e impostos para o país.  Os setores contra, como os partidos de oposição e os sindicatos, alegam que a  mudança da lei irá entregar as riquezas naturais brasileiras ao capital estrangeiro e dificultar o futuro do país.
Várias são as questões que devem ser levantadas para a analisar a questão. A primeira delas é a atual situação da Petrobras. A estatal hoje encontra-se numa situação bastante delicada, com uma divida de quase R$ 400 bilhões de reais e com um plano de desinvestimento que acordou a venda de vários ativos da empresa, sem falar da operação lava-jato, que descobriu uma sangria que vem de vários anos na organização, e que verificou uma despesa com corrupção de mais de R$ 6 bilhões. Como o setor petrólifero demanda altos investimentos, como exploração e perfuração, construção de oleodutos e plataformas petrolíferas e navios petroleiros e a Petrobras atualmente não tem tantas condições de arcar com os inúmeros investimentos, a nova lei seria uma boa medida. As empresas estrangeiras iriam aumentar a produção, gerando royalties e pagando impostos para o país.
Com isso vem outra questão, de quanto o Brasil ganha com a exploração comandada pela Petrobras e quanto poderíamos ganhar abrindo a exploração a outras empresas. Hoje a produção de Petróleo pela Petrobras está em uma média de 2.804 mil barris de petróleo por dia. Suponhamos que as empresas estrangeiras aumentem a produção em 15%, com a média indo para 3.224 mil barris de petróleo por dia. Com esses números, a produção estrangeira poderia alcançar 153.300 mil barris de petróleo por ano, que geraria uma receita total anual de quase 25 bilhões de reais, e com uma receita de royalties de quase 4 bilhões de reais, sem contar os 34% de impostos (25% de imposto de renda e 9% de CSLL)  que as empresas pagariam.

A Petrobras gera de rendimentos para o país, os 15% de royalties do valor da exploração, os impostos,  e 28% do lucro, que é a participação federal no Capital total da empresa. No primeiro semestre deste ano a Petrobrás gerou, aproximadamente,  R$3.700 milhões em royalties, R$ 14 bilhões de impostos e um lucro de R$ 148 milhões para o governo. Nesta ótica é vantajosa a exploração com participação ampla da Petrobras.
A útlima questão a ser levantada é a dos preços do petróleo. Com a exploração do óleo de xisto nos Estados Unidos, e a abertura de poços em grande quantidade para alimentar uma previsão de demanda que não se concretizou, houve uma grande queda nos preços do petróleo. Hoje o preço do Barril está  em uma média de US$ 50 o barril, enquanto até o fim de 2014, o preço da commoditie passava de U$$ 100 o barril. Com esses preços diminuem os interesses das empresas em explorar o  pré-sal, de alto custo pela dificuldade de exploração e extração, assim como as possibilidades de investimentos da Petrobras, que apesar de controlar a tecnologia de exploração em águas profundas e ter um custo menor devido ao controle da tecnologia, não pode investir com um preço baixa enquanto está com dividas gigantescas.

Outras questões podem ser levantadas, como a futura participação do petróleo na matriz energética mundial, ou a carga ideológica presente na contenda, de participação e poder do estado na economia. O que a população brasileira espera é uma Petrobras administrada de forma honesta, e que o pré-sal contribua, de fato, para o crescimento e desenvolvimento do país.

Referências: http://www.tradingeconomics.com/commodity/brent-crude-oil
http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/nossa-producao-de-petroleo-no-pre-sal-ultrapassa-1-milhao-de-barris-por-dia.htm

Mercado

Muitos são o comentários ruins sobre o mercado, como se ele representasse a ganância dos grandes empresários e os grandes lucros das multinacionais.
Na verdade a representação que ocorre na mídia está errada mesmo. O mercado é retratado como a opinião dos administradores das grandes empresas ou os economistas dos grandes bancos, quando, na verdade, o mercado é o encontro ou local de encontro entre compradores e vendedores. Ou seja, o mercado representa todos nós e as nossas escolhas do que vamos comprar, onde vamos trabalhar, o que vamos produzir.
Muitas vezes estamos em ambos os lados do mercado, demandando coisas e ofertando outras. Ofertamos nossas habilidades no mercado de trabalho e demandamos produtos quando vamos as compras. De fato, o que os compradores e vendedores querem é maximizar os resultados. Quando compramos algum produto, o queremos pelo menor preço e maior qualidade possível. Quem nos vende procura vender pelo preço mais alto possível e uma qualidade nem sempre relacionada ao preço cobrado.
Por isso, junto com a oferta e a demanda, outra coisa altamente necessária em um mercado é a concorrência. Ela que garante que não compremos um produto ruim por um preço alto, há não ser quando houver alta demanda ou pouca oferta. A concorrência leva a uma disputa, em que os vendedores aumentam a qualidade dos seus produtos ou baixam seus preços, para conseguir o dinheiro do cliente.
Mas para quem está do lado da oferta na negociação, a concorrência é ruim. Ao mesmo tempo em que tentam vender seu produto, as empresas e profissionais tentam evitar concorrência a todo custo. A diferença é o poder que elas têm à disposição. Enquanto o vendedor de feijão na feira não tem quase nenhum poder de tirar vendedores concorrentes,  grandes multinacionais dispõem de várias ferramentas para impedir a entrada de novos competidores no mercado. Bons contatos no meio político, grandes lucros, presença em vários países. Essas armas à disposição das transnacionais permitem o domínio do mercado e o sufocamento da concorrência. São essas empresas que dominam a economia, e a palavra delas acaba sendo a palavra do "mercado" que vai para a televisão.

Taxas de Juros Negativas no Japão

O Japão há muito tempo sofre de estagnação econômica. A economia do país não cresce e o país apresenta deflação, que é a queda geral no índice de preços. Para tentar combater a deflação, o Banco Central do país estabeleceu uma  taxa de juros negativa, atualmente em -0,10%. Isso significa que se um japonês compra um título de dívida do país de 1000 ienes, ele receberá ao final de 12 meses, 999 ienes. A taxa de inflação do país, está atualmente, em -0,5%, que mostra que com essa taxa de deflação colocar o dinheiro no banco com juro negativo de -0,1%, até seria bom negócio. Usando a equação de fischer, a taxa real de juros seria de 0,4%. Quer um melhor negócio? Guardar o dinheiro no colchão, que renderia juros real de 0,5%.
Os dados mostram como a deflação é cruel para uma economia. Significa que os preços ficarão mais baixos futuramente e o dinheiro terá maior poder de compra no futuro, o que faz as pessoas adiarem o consumo. Sem consumo, a economia não cresce.
Um bom ponto dos juros negativos, no caso do Japão, é que não pressiona a dívida pública. Com a maior dívida pública do mundo, de 229,2% do PIB, o Japão não sofre tanto por causa dessa divida gigantesca. Isso porque paga juros negativos e a maior parte da dívida é com credores do próprio país. Já o Brasil tem uma dívida de 66% do PIB, bem menor do que o Japão, mas paga 14,25% de juros nos seus títulos, devido a ter uma inflação alta e baixa poupança interna, o que faz que mesmo tendo uma dívida muito menor que a do Japão, tenha um despesa com o serviço da dívida bem maior.

PEC do teto dos gastos públicos

Com um déficit de 91 bilhões em 2015 e uma estimativa de déficit de 170,5 bilhões em 2016, o Brasil precisa de um reajuste nas suas contas. O chamado ajuste fiscal vem sendo idealizado desde o início do segundo mandato da Presidente Dilma Rousseff, que colocou como encarregado da missão, o então ministro da Fazenda Joaquim Levy.
Levy tentou iniciar o ajuste objetivando aumentar as receitas públicas através do aumento de impostos, precisamente a recriação da CPMF. Sem apoio político, o ministro não conseguiu implantar as reformas que pretendia e saiu do cargo em dezembro de 2015. Foi substituido pelo então Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que também pouco pode fazer para equilibrar as contas.
Veio 2016 e com ele o processo de impeachment (golpe) que retirou a presidente eleita, Dilma Rousseff, e colocou no lugar o seu vice, Michel Temer. Para fazer o ajuste fiscal, Temer indicou para o Ministério da Fazenda, o ex-presidente do Banco Central na era Lula, Henrique Meirelles.
Para resolver o problema das contas públicas, Meirelles aposta na aprovação da PEC 241. Esse projeto de emenda constitucional versa que a despesa pública só poderá crescer a inflação do ano anterior. Isso significa que a despesa pública ficaria congelada por 20 anos, sem aumento real das despesas.
Para mostrar como seria o efeito de tal medida no comportamento do orçamento público, usei o aumento da despesas públicas nos anos de 2003 até 2015,  usando como taxa de crescimento somente a inflação, como está no texto da lei e comparando com o aumento real das despesas que houve no mesmo período. O gráfico abaixo mostra a relação:


No ano final da série calculada, 2015, a despesa da união com o cálculo do teto de gastos seria de R$ 597.898,43 milhões contra  R$ 1.142.219,0 milhões da real despesa da União em 2015.
O resultado é que seriam R$ 544 bilhões a menos sendo investidos nas várias necessidades da população brasileira, como saúde, educação e aposentadorias. Se com o nível atual de gastos deixamos a desejar em várias áreas, imagine com 47% a menos de recursos disponíveis.
O que temos de certeza é que precisamos fazer o ajuste fiscal, que de qualquer maneira enfrentará resistência política ou popular. A política fiscal só tem praticamente três maneiras de ser executada, através de aumento de impostos, corte de gastos ou venda de patrimônio público.
Uma saída para o ajuste fiscal à esquerda seria com o aumento de impostos, com a criação, por exemplo, do imposto sobre grandes fortunas, que está previsto na constituição, mas nunca foi criado e a instituição de um imposto sobre lucros e dividendos, que existe em muitos países, mas não no Brasil
A solução “neoliberal” seria a de cortes de gastos, junto com a venda de patrimônio público, como concessões, privatizações e abertura de capital.

A solução será difícil, mas o atual governo e os outros que virão, terão de agir, para tentar evitar o aumento cada vez maior da dívida e um possível calote.