No blog já fiz um texto sobre a
PEC 241 (aqui), a proposta de emenda constitucional que congela os gastos públicos por
vinte anos. No texto, a proposta é colocada em comparação com gastos anteriores
do governo, numa série calculada que vai de 2003 a 2015. No final dos anos
calculados, se tivéssemos adotado uma proposta desta em 2003 por exemplo,
estaríamos registrando superávits primários de mais de R$ 500 bilhões.
Neste
texto o cálculo é com a projeção de gastos futuros, e o ponto de partida é bem
diferente, pois em 2003 partíamos com superávits primários e hoje começamos com
um déficit primário. Para calcular a série, foram usados índices de inflação de
4,5% a.a, que é a meta da inflação, e um crescimento do PIB de 2% aa, uma meta
de crescimento bastante realista. Outro esclarecimento é de que os dados da
receita só foram corrigidos pela inflação e o aumento do PIB (que aumenta as
receitas com impostos), sem a cogitação de que o governo venderá patrimônio
público ou aumentará impostos.
Utilizando os dados no gráfico,
vemos que a receita só igualaria a despesa somente em 2026. Os dados demonstram
a deterioração das contas públicas, e que talvez junto com o congelamento de
despesas, o governo possa até aumentar impostos para crescer as receitas. 2026
também será um ano importante, se o projeto for aprovado, pois é o período em
que a lei poderá ser revisada.
A PEC teria o poder de reverter a
trajetória da dívida pública a partir deste ano (2026), período no qual ela
provavelmente atingiria o seu pico e começaria a cair.
Uma das principais críticas a PEC
é sobre os gastos com saúde e educação. Hoje estes gastos estão relacionados a
receita pública líquida, que é o que sobra da Receita Total da União com
impostos e contribuições após as transferências para estados e municípios.
Atualmente o orçamento para saúde é de 13,2% da receita líquida e para educação
18%. O comportamento das despesas com essas áreas com a aprovação da PEC pode
ser vista nos gráficos a seguir:
Provavelmente serão menos
recursos para as áreas com a proposta, a menos que os congressistas, na hora
que forem fazer o orçamento, cortem gastos em outras áreas.
A PEC não é uma proposta
totalmente pronta, já que a previdência, que representa grande parte dos gastos
do governo e vem apresentando uma média de crescimento de 12% desde 2010, não
entra na possível emenda constitucional.
Além da redução de gastos, o
Brasil precisa de outras reformas, como a tributária, que estabeleça impostos
que sejam fáceis de entender, mais progressivos e que tributem mais renda,
onerando menos as classe mais baixas e facilitando a vida das empresas e
empreendedores, combinada com um maior rigor fiscal para evitar sonegações.
Também deve-se refletir sobre o
papel social do ajuste, pois a economia não são somente números, e garantir
qualidade de vida para a população é tão importante quanto evitar o aumento da
dívida. Enfim, entre os bilhões que serão congelados está o dinheiro que paga
auxilios moradia, transporte e de vestuários para juízes e políticos mas também
livros para crianças pobres e remédios para aposentados. Que os gestores
públicos tenham mais responsabilidade nos gastos e privilegiem o que de fato é
mais importante.





