Pelo menos nos números apresentados pelas empresas brasileiras com ações listadas na Bolsa, o Brasil pode estar começando sua recuperação econômica. Empresas que vinham apresentando prejuízos sucessivos, apresentaram números que podem mostrar que a economia brasileira está no caminho da retomada. Entre essas empresas estão gigantes como a Petrobras e a Vale, com lucros de 4 bilhões e 7 bilhões, respectivamente, para o trimestre de janeiro a março. Outra empresa que vinha apresentando prejuízos sucessivos e surpreendeu os investidores com o lucro foi a Usiminas. A empresa produtora de aço apresentou lucro no trimestre de 108 milhões de reais. Outro setor que mostrou recuperação foi o de varejistas. Companhias como a Magazine Luiza, Via varejo, e o Pão de Açúcar, apresentaram dados bem melhores em relação ao ano passado, revertendo prejuízos, e mostrando uma leve recuperação do setor.
Sem contar os bancos que mantiveram as altas margens de lucros, com menção especial ao Banco do Brasil,
Entre as possíveis causas dos bons números apresentados pelas empresas, estão a queda da Selic, que foi de 14,25% em outubro de 2016, aos atuais 11,25%, diminuindo os gastos financeiros das empresas, além da valorização de commodities no mercado internacional, como o aço, que viu um aumento de preço de 247%, e o minério de ferro, com aumento de 10% no preço este ano. O preço dessas commodities beneficiou empresas como a Usiminas, Vale e a Gerdau. Para as varejistas, o resultado pode ser explicado pelo FGTS das contas inativas. Na última pesquisa de Varejo do IBGE, os únicos setores que apresentaram aumento de receitas foram o de roupas, eletrodomésticos e construção civil, áreas com ampla participação das varejistas que apresentaram bons números.
Ilustrando a pequena recuperação, o principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa, cresceu mais de 14% este ano, resumindo o otimismo do mercado, que foi reforçado pelos números dos balanços.
Apesar da euforia, muitas empresas de destaque apresentaram números decepcionantes, como as empresas frigorificas BRF e JBS, afetadas pela operação carne fraca da Polícia Federal. A JBS teve uma queda de 86% no lucro liquido, em relação ao mesmo período de 2016, enquanto a BRF apurou um prejuízo de 285 milhões. Outro grande frigorifico que apresentou números ruins, foi o Marfrig, com prejuízo de 221 milhões. Empresas consideradas bem administradas, como as Lojas Americanas, também apresentaram queda no faturamento e prejuízo, que no caso da varejista foi de quase 200 milhões.
Apesar dos bons números de algumas empresas da Bolsa, o panorama geral econômico indica que falta acertar muitos fundamentos para retomar o crescimento. Teoricamente o pior da crise já passou, mas o desemprego deve demorar para voltar a níveis mais baixos, a queda dos juros ajudam, mas não resolvem todo o problema, e o ambiente ainda é incerto para as empresas voltarem a investir, sem citar o ambiente político. A esperança é que o ambiente externo seja favorável, com aumento dos preços de commodities e câmbio num preço que ajude as exportações para reforçar a volta do crescimento.
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